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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sangue na Neve ~ Lisa Gardner

Editora: Novo Conceito
Páginas: 416
Gênero: Suspense Policial
Título original: Love you more
Classificação:


A policial Tessa Leoni matou seu marido, Brian Darby, em legítima defesa. A arma do crime está à vista de todos e os hematomas no corpo de Tessa confirmam a ocorrência. A policial também não fez questão de fugir, ou de arrumar qualquer justificativa para explicar aquele corpo estendido no chão da cozinha, portanto, aparentemente, o que a investigadora D.D.Warren tem à sua frente é o desfecho de uma briga doméstica. Um caso simples. No entanto, ao abrir o inquérito, D. D. terá uma surpresa: este não é o primeiro homicídio de Tessa Leoni e — afinal — onde está a filhinha de seis anos da policial? Será que a policial Leoni realmente atirou em seu marido para matá-lo? Uma mãe seria capaz de prejudicar intencionalmente sua filha? D. D. Warren, a experiente detetive que acredita que desvendar um caso é como mergulhar na vida do criminoso, enfrentará mais uma investigação que a levará a uma busca frenética por uma criança desaparecida enquanto tenta encaixar as peças de um mistério familiar que a levará a quebrar os muros do corporativismo policial.

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Em uma nublada manhã de sexta, uma garota comum corre para pegar seu ônibus para o trabalho. Não é só por que ela gosta de chegar cedo, é muito mais por que ela mal pode esperar para se sentar no banco do ônibus e voltar para o mundo de Sangue na Neve. Então, depois de algumas páginas (na viajem longa) ela mal pode crer no que seus olhos estão lendo e, sem pensar, diz em voz alta:
- MEU PAI! Não acreditoooo!
Uma senhora sentada ao seu lado olha muito estranhamente para aquela individua peculiar, enquanto a mesma repete a frase, desta vez olhando a senhora nos olhos (eu sei, sou louca). Quando a distinta velhinha percebe o livro nas mãos da garota, a compreensão se espalha por seu rosto:
- Ah tá... o negócio está bom aí hein?
- A senhora não faz ideia - diz a menina, voltando para seu livro.
Certo, isso realmente aconteceu comigo.
Eu não conseguia largar Sangue na Neve (li andando, esperando o ônibus, na hora do almoço e do café...) e realmente tenho uma mania meio boba de fazer comentários em voz alta. MAS, isso não vem ao caso, e a historinha no começo do post era só pra descontrair :)
Vamos à resenha!
"Quem você ama?
É uma pergunta que qualquer um deve ser capaz de responder. Uma pergunta que define uma vida, cria um futuro, guia a maioria dos minutos do dia das pessoas. Simples, elegante, envolvente.
Quem você ama?" - pág. 5
Sangue na Neve é mais um caso para a super detetive D. D. Warren (que eu amo, amo, amo, amo, amo). Dessa vez, D. D. é chamada para um caso aparentemente simples: um marido violento agride a esposa, a mesma se defende com uma arma de fogo e acaba por matá-lo.
Porém, Tessa Leoni não é qualquer esposa... ela é uma policial do estado. Além disso, a filha de Tessa, Sophie de seis anos, está desaparecida. Tessa não quer cooperar com a polícia, o que obriga D. D. e seu fiel companheiro (e ex-namorado) Bobby Dodge a correr no escuro para salvar a menina e desvendar o que está por trás desse misterioso caso. Sophie está viva? Tessa matou o marido? Quem era Brian? Ele realmente agrediu a esposa ou Tessa armou para o marido?
Não há momentos parados no livro, que alterna um ponto de vista em terceira pessoa, com a narração de Tessa do "antes". A ação não para e Lisa nos leva novamente ao dia-dia dos policiais de Boston de um jeito que faz você se sentir dentro da história. Além disso, o mistério é carregado de reviravoltas.
"Meus olhos ardiam. Existe dor, e depois existe dor. Todas as palavras que eu não podia dizer. Todas as imagens que não podia tirar da cabeça" - pág. 61
"Uma mulher lembra da primeira vez que foi agredida. Mas, com alguma sorte, ela também se lembra a primeira vez que reagiu e venceu." - pág. 83 
A história aborda a vida particular de D. D. também, por que ela está passando por uma fase de mudanças com o relacionamento com Alex e tudo mais. Fiquei emocionada, por que amo a personagem (eu já disse isso). Sangue na Neve é maravilhoso. Um suspense bem elaborado, que leva a solução até bem perto do final, Lisa me deixou sem fôlego. Uma narrativa firme, típica de quem sabe exatamente sobre o que está escrevendo, o que fica comprovado quando lemos a saga da autora, descrita em seus agradecimentos, para a criação de mais este caso. Gardner chegou a ser presa (isso mesmo) para saber como é dentro das prisões de Boston... não de verdade é claro, mas ela passou um bom tempo lá pra escrever (!!!).
O livro fala de violência doméstica, as dificuldades que os homens e mulheres que protegem as ruas sofrem, corrupção, crime organizado, maternidade, amizade, família, o amor e o risco que se corre ao trazê-lo para sua vida, além de mostrar de uma maneira bem delicada como esse risco vale a pena. Como vale enfrentar as maiores privações e provações por amor. Bem, na maioria dos casos pelo menos. Super recomendado para quem gosta de um bom romance policial.
Recomendo também que vocês leiam Viva para Contar. Por que todas as histórias da Lisa Gardner tem de ser lidas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Viva pra contar ~ Lisa Gardner

Editora: Novo Conceito
Páginas: 480
Classificação:


Em uma noite quente de verão, em um bairro de classe média de Boston, um crime inimaginável foi cometido: quatro membros da mesma família foram brutalmente assassinados. O pai — e possível suspeito — agora está internado na UTI de um hospital, entre a vida e a morte. Seria um caso de assassinato seguido por tentativa de suicídio? Ou algo pior? D. D. Warren, investigadora veterana do departamento de polícia, tem certeza de uma coisa: há mais elementos neste caso do que indica o exame preliminar. Danielle Burton é uma sobrevivente, uma enfermeira dedicada cujo propósito na vida é ajudar crianças internadas na ala psiquiátrica de um hospital. Mas ela ainda é assombrada por uma tragédia familiar que destruiu sua vida no passado. Quase 25 anos depois do ocorrido, quando D. D. Warren e seu parceiro aparecem no hospital, Danielle imediatamente percebe: vai acontecer tudo de novo. Victoria Oliver, uma dedicada mãe de família, tem dificuldades para lembrar exatamente o que é ter uma vida normal. Mas fará qualquer coisa para garantir que seu filho consiga ter uma infância tranquila. Ela o amará, independentemente do que aconteça. Irá protegê-lo e lhe dar carinho. Mesmo que a ameaça venha de dentro da sua própria casa. Na obra de suspense mais emocionante de Lisa Gardner, autora best-seller do The New York Times, a vida dessa três mulheres se desdobra e se conecta de maneiras inesperadas. Pecados do passado são revelados e segredos assustadores mostram a força que os laços de família podem ter. Às vezes, os crimes mais devastadores são aqueles que acontecem mais perto de nós.

Li esse livro há alguns meses, e só agora farei essa resenha. Mas os detalhes dessa história forte e real ainda me vêem à mente sempre que escuto o nome do livro ou vejo a lombada dele junto com as outras da nossa "estante".
Viva para Contar, da Lisa Gardner, é o melhor livro de mistério que já li... com uma pitada de suspense psicológico. Temos essas três mulheres, com seus problemas reais e fortes. Muito fortes. Muito reais. Muito dolorosos. Talvez nem tanto caso da D. D. Warren, minha personagem favorita no livro. D. D. é uma detetive durona, quase quarentona (mesmo sendo linda e loira :D) e solitária, que está começando a se dar conta de como é solitária. Na história pelo ponto de vista dela, todos são suspeitos, até que se prove o contrário, e Alex Wilson, seu novo parceiro, é uma desagradável distração. (sei, sei)

"D. D. continuou a estudar o homem. Estimou sua idade em pouco mais de 40 anos, um número desconfortavelmente próximo da sua própria idade - especialmente por que ele havia chamado a si mesmo de dinossauro. Não era alto demais, talvez com um pouco mais de um metro e oitenta, e relativamente em forma. Seu cabelo escuro, curto, tinha vários fios grisalhos aparentes, e os cantos de seus olhos se enrugavam quando franzia as sobrancelhas. Um George Clooney das classes trabalhadoras. Ela gostava disso."
pág. 34

D. D. recebe a incumbência de cuidar do caso de um assassinato de toda uma família de forma brutal, o que leva a outras situações terríveis e cada vez mais confusas.
Não se sabe o que houve naquela terrível noite e quem pode ter desencadeado os acontecimentos cada vez mais assustadores que circundam o caso. Cabe a ela e Alex (ai... ai...) além de um tipo de policiais super capacitados de sua equipe desvendar esse terrível segredo... de família.
A outra personagem que temos é Victoria. Na minha opinião, a história mais triste do livro.

"Há partes de uma pessoa, tantas partes, que, quando alguém abre mão delas, nunca mais consegue recuperá-las"
pág 26

Não posso falar muito sobre essa parte da história, para não acabar dando spoiler, mas a história de Victória tem muita importância para tudo o que acontece. Posso descrever a personagem de uma maneira bem simples: uma mulher que ama seus filhos.
Muito mais do que a si mesma.
Exacerbadamente mais.
Ela luta, com todas suas forças, para que tudo fique bem. Mesmo que esteja além de sua capacidade. Questionei suas opiniões e atitudes por toda a história, desejava sua melhora, mas logo percebi que o conformismos aparente de Victória, na verdade era sua maior força.

"Imagino se esta noite será a noite em que ele finalmente vai me matar.
Este é Evan, o meu filho.
Ele tem 8 anos"
pág 27

A terceira garota da história é muito importante, na verdade as três são protagonistas.
Essa personagem me partiu no meio. Eu amo e odeio Danielle. Amo sua força, apesar de tudo, amo a maneira abnegada como ela faz seu trabalho e sua atitude sincera para com seus sentimentos de egoísmo e seus traumas. Dani é uma sobrevivente, como é enfatizado durante todo livro. Todos de sua família estão mortos, mas ela foi poupada e isso a assombra completamente. Mas também a odeio. Por que ela, eu sei que é injusto dizer, não consegue se erguer e aceitar ajuda. Nem falar. Se ela pelo menos começasse a realmente falar. Então, tudo poderia ser melhor.

"Eu sei o que você está pensando. Você acha que escolhi essa carreira para salvar crianças perdidas, assim como eu. Ou, talvez, de maneira ainda mais heroica, você acha que escolhi essa profissão para evitar tragédias como aquelas que aconteceram à minha família.
Entendo o que você está pensando.
Mas você ainda não me conhece."
pág 10

Viva pra contar, da genial Lisa Gardner, é um triller policial, com suspense psicológico, drama (muito drama) e até mesmo uma pequena, mas considerável, dose de romance e comédia.
Somos atirados, com muita força, contra a realidade das crianças psicóticas, com tendencias violentas e cruéis, mas que são as maiores vítimas de todas. Reféns de suas pequenas mentes doentes, com seus frágeis corpos castigados pela falta de controle furiosa. Fiquei profundamente triste por elas. Por suas abnegadas famílias. Pelas mães sofridas, os pais castigados, os irmãos marcados de tristeza. Por sua vida.
Mas Lisa nos apresenta à bons profissionais. pessoas que doam seu amor, carinho e suas vidas para cuidar dessas famílias. Acho que esse é um dos maiores trunfos do livro.
A humanização dos centros psiquiátricos infantis. Um assunto que ainda é um tabu. Infelizmente.
Livros como esse me lembram como as coisas podem ser difíceis num mundo onde nossos pequenos (embora estressantes) problemas não são absolutamente nada. Nada mesmo.
Também me faz grata por ter tido a oportunidade, que tristemente alguns não tem, de ter aprendido a ler. Vale a pena, para conhecer visões como a de Gardner. De um lugar cheio de caos, tristeza, mas também de esperança.
Recomendo esse livro a você.
Não é uma leitura fácil, você vai sentir a dor, mas vai ter a certeza de que, no final, valeu a pena atravessar pelos caminhos dessa que é uma história maravilhosa. Sobre perda e tristeza sim. Mas, também sobre força e bondade humana.

UPDATE:
Cada uma das mulheres desse livro merece uma musiquinha né?
Espero que gostem!

D. D. ~
Never Let Me Go - Lana del Rey


Victória ~
Cry - Kelly Clarkson


Danielle ~
My immortal - Evanescence




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